Colorful


Sob a tela eu enxergo o vazio
Apenas uma tela em branco
Pincel nas mãos, tintas há postos
O nada me encara, eu encaro o nada.
Mas não é somente um simples nada
É um nada vivo, a tela se movimenta sob a superfície
Eu vejo.
Engana os que apenas olham, mas não os vêem.
E então eu sou a tela, eu sou o nada.
Ma como pode alguém ser UM NADA?
Sou mais, não apenas isso
E então, eu sinto...
O pintor voltou-se a sua obra
Somente um pingo
É tinta, é vida
E as pinceladas são longas e exatas
Riscos uniformes
Traços sem rumo, mas precisos, decididos.
E do cinza surge a cor
Do cinza surge a luz, forma
Não somente rabiscos sem nexo
É mais
É uma explosão
Agora há sentimento, bons e ruins
Incontrolável
Calmo
Selvagem
É dor
É amor
Sabor
Calor...

E agora o nada, é tudo!
A obra está feita, mas não terminada
Essa não se acaba como as outras
Essa é infinita e da flores
Continuação
O pintor admira a sua obra
Mãos calejadas do atrito do pincel
Mas seu semblante é tranquilo, calmo
A obra não é perfeita
Não é pra ser
É pra ser inesquecível
E é...
O pintor ama a sua obra
De certo modo ela é perfeita.

Leia escutando musica.

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